IA, Papa: transformar os frutos da inovação tecnológica em instrumentos de paz

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O apelo é o da Magnifica humanitas e aquele reiterado pelo Papa: uma inovação tecnológica, com a Inteligência Artificial em primeiro lugar, que esteja a serviço da dignidade humana, fortaleça os vínculos e seja, portanto, instrumento de paz, e não de novas divisões e desigualdades. Leão XIV volta a expressar esse desejo diante de um progresso tecnológico cada vez mais acelerado, em sua mensagem aos participantes do AI4Peace. Trata-se de um simpósio global bienal, que começa hoje, 21 de setembro, e prossegue até amanhã, terça-feira, 22, na Pontifícia Universidade Lateranense, dedicado às oportunidades e aos desafios apresentados pela Inteligência Artificial nos processos de prevenção e resolução de conflitos, na proteção dos direitos humanos e na construção de novos modelos de governança.

 

O incentivo do Papa

 

No Auditório Magna da universidade pontifícia, assim como em diversas salas virtuais, reúnem-se especialistas, pesquisadores, representantes de instituições, do mundo acadêmico e de organismos internacionais para compartilhar experiências e aprofundamentos sobre a relação entre IA, conflitos e construção da paz. A todos eles chegou a saudação do Papa, em uma mensagem lida no início dos trabalhos pelo padre Andrea Ciucci, chanceler da Pontifícia Academia para a Vida.

 

“Em um mundo marcado por conflitos e divisões, o desenvolvimento da Inteligência Artificial exige uma visão inspirada pela sabedoria e pela caridade, para que o progresso tecnológico possa estar a serviço da dignidade de cada pessoa e fortalecer os vínculos que unem a família humana”, escreve o Papa Leão.

 

Atenção ao bem dos outros

 

O Papa cita sua encíclica Magnifica Humanitas, quando afirma que “o desígnio de misericórdia de Deus continua a se manifestar na história também hoje” e “torna-se uma bússola na era digital para vivermos nossa vida segundo o Evangelho”.

 

À luz dessa consciência, o Papa encoraja a “aprofundar como a Inteligência Artificial, guiada por uma autêntica atenção ao bem dos outros, possa favorecer o diálogo, a reconciliação e a solidariedade entre os povos, contribuindo para transformar os frutos da inovação tecnológica em instrumentos de paz”.

 

Orientar a IA para a paz

 

O simpósio, iniciado hoje, foi promovido pela Universidade para a Paz da ONU e pela representação da instituição acadêmica na Itália, juntamente com a Pontifícia Academia para a Vida e a Pontifícia Universidade Lateranense, onde acontecem as sessões plenárias e os trabalhos temáticos.

 

O encontro foi concebido não como um evento isolado, mas como um congresso bienal e uma plataforma internacional permanente. O objetivo do AI4Peace é favorecer o diálogo entre pesquisa científica, instituições, diplomacia, economia, filosofia, mundo acadêmico e dimensão religiosa. No centro está uma questão cada vez mais urgente: como fazer com que a Inteligência Artificial seja orientada para a paz e não se torne mais um fator de conflito?

 

Criar um diálogo internacional

 

“A paz não pode ser considerada simplesmente como a ausência da guerra”, explica o reitor da Universidade para a Paz da ONU, Francisco Rojas Aravena, um dos participantes do congresso. “A paz é um processo que requer instituições, conhecimento, cooperação e capacidade de enfrentar as causas profundas dos conflitos.”

 

A IA, segundo ele, “pode oferecer instrumentos extraordinários nessa direção, mas também pode ampliar desigualdades, tensões e novas formas de conflito”. O desafio do AI4Peace, portanto, é “criar um diálogo internacional que nos permita compreender essas transformações e promovê-las de maneira coerente com os princípios da paz, dos direitos humanos e da dignidade da pessoa”.

 

“A paz não é externa à defesa da vida: constitui uma de suas condições fundamentais”, destaca, por sua vez, monsenhor Renzo Pegoraro, presidente da Pontifícia Academia para a Vida. Diante da Inteligência Artificial, “não basta, portanto, perguntar o que a tecnologia pode fazer, mas para qual finalidade queremos orientá-la”. A ética, portanto, deve “entrar desde a fase de projeto”, enquanto a responsabilidade humana “não pode se dissolver por trás da complexidade da máquina”.

 

O programa

 

O programa do AI4Peace entra no centro das discussões com uma sessão plenária que reúne algumas das vozes internacionais de destaque nos temas da economia, geopolítica, tecnologia e paz. Entre os participantes estão Sergey Bodrunov, presidente da Sociedade Econômica Livre da Rússia; Jeremy Rifkin, economista e fundador da Foundation on Economic Trends; Jeffrey Sachs, economista e professor da Universidade Columbia; Antoinette Rouvroy, filósofa e pesquisadora da Universidade de Namur; e Sergio Bellucci, diretor acadêmico da Universidade para a Paz da ONU na Itália.

 

Também participam representantes do mundo acadêmico internacional e altos representantes da Unesco. Os dois dias de trabalhos serão concluídos com uma sessão plenária e a assinatura oficial para a constituição da AI4Peace International Association, com a presença das instituições envolvidas.

 

Fonte: Vatican News

Fotógrafo: Reprodução de imagem Vatican News

 
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